SANTA
Era nordestino, seu nome verdadeiro era Saulo. Morava com pai, mãe e duas irmãs menores num bairro classe média baixa, em São Paulo. De compleição franzina, desde criança muito pequena que Saulo exibia trejeitos femininos, como os de sua professora. Quando sozinho em casa, costumava experimentar vestidos, calçados e bijuterias da mãe. Exagerava na maquiage, caprichava no batom e no blush escuros. Caracterizado de mulher, caminhava e estudava o menear dos quadris, o jeito de sorrir, de olhar e de falar. Saulo era tão meigo, que a meninada da escola onde estudou o chamava de "Santa". E Santa pra cá, Santa pra lá, Santa isso, Santa aquilo, o fato é que, com este apelido, Saulo se tornou conhecido no bairro. Um dia, ainda adolescente, foi encontrado morto numa falésia de um bairro distante. Estava trajando um vestido cor de rosa, combinando com a cor da sandália de salto alto. Espancado, o corpo de Saulo apresentava evidentes sinais de violência sexual. O exame médico constatou rompimento e afrouxamento do ânus onde o assassino introduziu um canudo de papel com a inscrição: "Santa, sou neo-nazista brasileiro, não gosto de nordestino e odeio homossexual".
Dôra Limeira