PERFIL

Nome: Dôra Limeira

Local: João Pessoa, Paraíba, Brazil





 

LIVROS PUBLICADOS

Preces e orgasmos dos desvalidos (contos)

Arquitetura de um abandono

(contos)




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09 Dezembro 2007




“O Beijo de Deus" (mini contos) é minha terceira investida na área literária. Meus dois primeiros livros de contos publicados foram “Arquitetura de um Abandono” (2003) e “Preces e Orgasmos dos Desvalidos” (2005).

Sou paraibana, nasci na cidade de Parahyba, capital do estado da Paraiba.

Iniciei os primeiros estudos numa escola pública, concluindo-os num colégio religioso católico. Graduei-me e especializei-me em História. Ministrei aulas, muitas aulas em todos os níveis de ensino, em escolas públicas e privadas.

Escrevo desde criança, a princípio sem pretensão outra se não a de escrever. Depois que me aposentei como professora, resolvi publicar tudo que tinha escrito e que estava escrevendo.

A internet foi o primeiro canal por onde me expressei literariamente. Um dia, juntei tudo que tinha postado virtualmente, organizei e publiquei em livro impresso. Este é o resumo da história do meu primeiro livro – o Arquitetura de um Abandono. São contos pequenos que dei à luz em 2003.

“Preces e Orgasmos dos Desvalidos” meu segundo livro, segue a mesma linha do primeiro. São grandes histórias em contos pequenos.

Participo do Clube do Conto da Paraíba, iniciativa inédita no Brasil, onde um grupo de contistas compartilha seus textos, histórias e crônicas, sentados em torno de uma fogueira imaginária. É a forma que nós, contistas da cidade, encontramos de brincar em conjunto. O lúdico predomina nesse compartilhar de histórias que, por sinal, já deu origem a muitos livros de contos.

Quarta feira, dia 12 de dezembro do corrente, no local chamado O Sebo Cultural, estarei dando à luz este meu terceiro livro. Poderá ser pegado, manuseado, poderá ser levado para casa. “O Beijo de Deus” será de homens e mulheres de boa vontade. Sirvam-se.

Dôra Limeira

Dez./2007





02 Dezembro 2007

CIDADE DE PARAHYBA









Boa tarde. Sou Dôra Limeira, professora e contista, sou paraibana, nasci na capital do estado, mais precisamente em Cruz das Armas.
Bem, já que estamos falando sobre o nome da cidade, quantos nomes já tivemos? Nossa Senhora das Neves, Felipéia de Nossa Senhora das Neves, Frederica. Depois de ter sido batizada sucessivamente com nomes de santas, príncipes e reis, a cidade se aproximou de sua própria identidade quando a chamaram de “Parahyba”. Era um nome que tinha muito a ver com o povo indígena, tinha a ver com as águas que banhavam a cidade, com a História, com a vida. Parahyba, além do mais, é nome de delicada musicalidade.
Quando minha me avó me contou sobre a substituição do nome de Parahyba pelo nome de João Pessoa em 1930, eu não entendí como puderam fazer tal coisa. Perguntava-me que poderes tinham as pessoas para destruir um nome de mais de dois séculos. Só mesmo o descontrole e o fanatismo exacerbado poderiam explicar.
Conheço boa parte da História da Paraíba, sou formada em História. Mas a fonte mais significativa de meu conhecimento da cidade estava na minha vivência, no meu caminhar diário pelas ruas, na curiosidade, na busca de explicações. Por que um determinado trecho da cidade baixa se chamava “Beco dos Milagres”? De onde vinha o nome da “Fazenda do Boi Só”? Que nome oficial tem o “Edifício 18 Andar”? Esse viver e pulsar junto com a vida urbana me despertava a curiosidade desde criança. Atravessando a ponte Sanhauá a pé, andando pela Ilha do Bispo, margeando a linha do trem, olhando caranguejos, homens e meninos dentro da lama, era assim que eu, muito menina ainda, aguçava minha sensibilidade e minha vontade de saber das coisas.
Vejo que as discussões continuam em torno do nome da cidade e da bandeira do Négo. Por que sou a favor da reintegração do nome Parahyba? Porque, na minha opinião, Parahyba é nome que expressa melhor a identidade da gente, é nome que confraterniza todo um universo, de Tambaú ao Rio Sanhauá. Parahyba é nome indígena, tem muito mais a ver com nossa História, com nossas origens, nosso povo. Porto do Capim, Varadouro e adjacências foram o berço da cidade. Nascemos olhando para as águas fluviais. Reintegrar o secular nome Parahyba é homenagear nossos indígenas, tão massacrados ao longo de sua História. É homenagear nossas águas, tão poluídas ao longo de seus cursos. A cidade está vivendo novos tempos, tempos de novas idéias, tempos de mudanças, de revisão de sua História. Nossa urbanidade tem, hoje, outra cara, “a cara da gente”, de fato. A cidade não tem um dono, não é propriedade de pessoa alguma, de família alguma. A cidade é dos cidadãos, sem distinção de fortuna. Parahyba é um nome que traduz essa identidade.
Particularmente, não tenho nada contra o finado João Pessoa. Era presidente da província e, como tal, merece homenagens, sim, por que não? E, de fato, o político João Pessoa tem sido bastante homenageado. Se não, vejamos: A Praça João Pessoa é a mais importante praça da cidade, congrega os três poderes. Na Praça João Pessoa existe um monumento, a meu ver, o mais imponente e mais bonito da cidade. Neste monumento, a figura de João Pessoa se sobressai, com muita justiça, aliás. Mas, vamos e convenhamos, querer impor o nome deste cidadão a uma cidade inteira, só pode ser fanatismo. Fanatismo é doença, é atraso político.
Hoje, no centro da cidade, perguntaram-me o que acho da bandeira do Négo, seu formato e suas cores. Respondi que não somos um povo triste, como a bandeira do Négo quer expressar. Basta de luto, de sangue, vamos dar um basta à tristeza. Chega de negatividade. Não merecemos um luto eterno. Não precisamos derramar sangue eternidade afora. A bandeira de Parahyba deve expressar nosso sorriso, nosso verde, nosso sol. Somos uma das cidades mais verdes do mundo, aliás, a segunda mais verde. Somos o lugar aonde o sol vai e chega primeiro, ponto mais oriental. Parahyba está se candidatando a ser uma das sete maravilhas do Brasil. O Centro Histórico, provavelmente será tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional. Pois bem, são essas coisas que devem estar expressas nos símbolos da cidade, na bandeira, no hino, nas logomarcas, nos autdoors, nas frases e palavras de ordem.
Eis a cidade que amo: Parahyba.



* Esta fala foi proferida por Dôra Limeira, professora e contista, em 29 de novembro de 2007, na Sessão Especial da Câmara Municipal, que discutiu sobre o resgate do antigo nome da cidade, propositura do vereador Fuba.








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