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16 Julho 2008
RUPTURAS
As correntes de sua vida, desde nascença muito frágeis, estavam sempre se partindo. A primeira que se partiu foi ao perder a mãe, ainda quando mamava. Leites nestogenos, lactogenos e outros ninhos desviaram-no de sua rota original. Ao longo da vida, outros elos se romperam. Sua corrente de ouro, presente da madrinha, partiu-se e caiu numa boca de lobo no centro da cidade. Alguns anos depois, sua conta corrente bancária quebrou sem retorno. Um dia, a esposa olhou para ele e disse “adeus". Bateu a porta e nunca mais foi vista. De ruptura em ruptura, sua vida se esgarçou. Não suportando tanto repuxo, numa madrugada de inverno, ele provocou a quebra do último elo da corrente que o ligava à vida: perfurou a própria jugular com uma faca de cozinha. O sangue jorrou nos azulejos da parede, mas ele ainda pensou: "Merda".
Dôra Limeira
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