PERFIL

Nome: Dôra Limeira

Local: João Pessoa, Paraíba, Brazil





 

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Preces e orgasmos dos desvalidos (contos)

Arquitetura de um abandono

(contos)




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26 Novembro 2008

MENINO ANTIGO


Em alguma praça da minha infância, havia um coreto que se iluminava à noite. Nas madrugadas de inverno, um menino se abrigava sob o teto do coreto e ressonava úmidos sonos. Dentro daquele menino, a banda de música tocava um dobrado antigo: "Saudades da minha terra". E o menino chorava no ritmo do dobrado. Pobre criança. Tinha saudades, feito um velho.


(Do meu livro “O Beijo de Deus”, ed. Manufatura)







15 Novembro 2008



2008 está terminando. Antes que ele termine efetivamente, quero deixar aqui registrados meus agradecimentos a todos os amigos e conhecidos virtuais ou presenciais que visitaram meu blogue. São poucos os meus visitantes, mas são qualitativos.


Alguns de meus textos são mais chamativos do que outros. Uns são chocantes, outros são mais líricos. Em todos eles imprimi a marca de minhas verdades, sem medo de nada. Acredito que existam as verdades momentâneas de quem escreve. No momento da criação, há uma realidade que não existe nos demais momentos da vida. O momento de criação é único e sua verdade é única.


Para o CLAUDER ARCANJO, deixo meu registro e um beijo virtual de agradecimento por ter feito um artigo muito lindo sobre meu livro “O Beijo de Deus”. Ao longo de nossa convivência virtual, tenho recebido milhões de beijos desse arcanjo de ternura. São os beijos de Clauder a embalar minha trajetória literária. Muito grata, Clauder.


ONLY FEELINGS é uma pessoa de quem não sei muita coisa. Não sei nem se esse é seu nome verdadeiro ou se é seu nome fantasia. Não importa. Importa é que tenho conhecido umas facetas dessa pessoa através de seus comentários aos meus textos. Alguns de meus contos chocantes receberam dela comentários entusiasmados, como são os casos dos textos: “Sábado”, “Rupturas” e “Santa”. Poxa, Only, você gosta de coisas arrepiantes. Eu também gosto, aqui pra nós.


DEA, muito obrigada por ter comentado meu conto “Sábado”. Sabia que eu tenho uma filha que se chama Dea? É minha filha mais velha. Eu quisera que minha filha lesse as coisas que posto no meu blogue. Mas não há de ser nada. Você lê, minha visitante virtual.


RONALDO MONTE é uma pessoa que eu avistava muito nos corredores da universidade nos meus tempos de professora universitária na ativa. Parecia-me ser uma pessoa muito cheia de si, até certo ponto arrogante, por que não dizer. Os dias, meses e anos foram se passando e, um belo dia, eis que pintou uma oportunidade de nos encontrar mais de perto, através de minhas filhas a quem ele estimava. Ele leu meu livro “Arquitetura de um Abandono”, gostou e de repente ligou pra mim pra me dizer isto: Poxa, Dôra, gostei muito do teu livro, achei muito bem escrito. E eu que ainda não tinha intimidade com essa pessoa. Depois, nos encontramos no Clube do Conto e pronto. Estavam selados os laços de amizade que rendem até hoje, ora laços apertados, ora frouxos, mas sempre enlaçados. Muito obrigada, Ronaldo, por ter escrito um artigo muito bonito que falava sobre meu mais de 1968. Poxa, você me comoveu.


RAMON LIMEIRA. O que dizer dele? Neto de meu primo, é meu primo também em segundo ou terceiro grau, nem sei. Menino bonito de olhos muito brilhantes, expressivos. Meio sisudo, meio brincalhão. Muito inteligente. Eis Ramon. Desde o dia que nos encontramos pela primeira vez na vida, nos corredores de uma livraria, que esse menino vem acrescentando muito à minha vida, sem que tenha, ele próprio, a menor consciência disso. Muito obrigada, primo, pelas visitas ao meu blogue, mesmo que não comente nada.


Quem é ROBERTA VANESSA? Visitou o Clube do Conto, gostou, se integrou, mas raramente aparece. Muito obrigada, Roberta, pelo comentário ao meu texto “Rupturas”.


PAULINHO BRITO e ANDRÉ BRITO, vocês muito me emocionaram com as visitas de vocês a este meu espaço literário. Paulinho e André são meus sobrinhos de quem tenho saudades. Moram tão longe. Grata pelos comentários de vocês ao meu texto “Naquele maio de 68”. Espero que retornem sempre com suas visitas.


AZUL, quem quer que você seja, muito obrigada pela visita e pelo comentário.


MÁRCIA MAIA é uma poeta e contista pernambucana que tem laços afetivo-literários com pessoas da Paraíba. Escreve lindos poemas e tem alguns livros de poemas publicados. Mas Márcia também sabe escrever contos a valer. Com ela aprendi a fazer mini contos numa lista de discussão literária na internet. Sou grata a Márcia por isso. Também sou agradecida por Márcia visitar meus textos no blogue e deixar comentários. Ela é uma pessoa que, tudo indica, gosta de coisas chocantes. Daí ter gostado e comentado meu texto horripilante chamado “Carbonizado”, pelo que sou bastante grata.


GERALDO MACIEL, mais conhecido como BARRETO, muito obrigada por ter persistido em acessar este meu blogue para comentar textos. Finalmente, conseguiu e comentou o texto “Santa” e um outro texto que, não lembro o nome agora, mas que conta a história de um homem endividado que se incendeia diante de uma igreja. Barreto também tem uma editora chamada “Manufatura”, responsável pela publicação de meus três livros. Por todas essas coisas, sou muitíssimo grata a Barreto.


Também sou muito agradecida a DEIZE e a WALDIR AMORIM por terem se deslumbrado com meu blogue, particularmente pelo conto chamado “Anonimato”.. o Waldir eu conheço, é paraibano membro do Clube do Conto como eu. Já a Deyze, não tenho a menor idéia de quem seja, desculpe. Mas, quem quer que você seja, muito obrigada.


Aos amigos escritores BETO MENEZES, RICARDO MAINIERI e MÁRCIA, meus agradecimentos pelas palavras de carinho em relação ao meu texto sobre a gestão de Lau Siqueira à frente da Fundação Cultural de João Pessoa – FUNJOPE.


Finalmente, agradeço ao poeta LAU SIQUEIRA, pela força de sempre, desde o dia em que o conheci.

Boa noite.









05 Novembro 2008

AMIGO, POETA E CIDADÃO LAU SIQUEIRA *



Dôra Limeira



Boa tarde a todos e todas. Meus cumprimentos ao amigo Lau Siqueira e aos que compõem a mesa, nesta sessão especial. Sou Dôra Limeira, professora aposentada e sou escritora, escrevo contos.



Conheci Lau Siqueira no lançamento de seu livro de poemas chamado “O guardador de sorrisos”, naquela noite movimentada na praça do Pavilhão do Chá. Na época, eu fazia parte do Teatrália, grupo dramático de performances poéticas. O Teatrália foi convidado para fazer dramatizações de alguns poemas de Lau por ocasião do lançamento de seu livro.



Lembro-me bem. Era 13 de junho de 1998, noite límpida na praça Venâncio Neiva. Poetas, artistas, intelectuais e amigos de modo geral estiveram lá. Curiosos, pivetes e prostitutas também marcaram presença e, de longe, observavam, queriam entender e interagir. Nós, do Teatrália, adentramos o recinto, roupas pretas, maquiagens esquisitas, e recitamos, desvairadas, versos de Lau Siqueira: “dentro de mim morreram muitos tigres, os que ficaram, no entanto, são livres.”



Com os olhos muito abertos, sobrancelhas arqueadas, eu falei em tom de denúncia este poema de Lau Siqueira: “são tristes as folhas murchas do repolho que um homem faminto não pode comer.”



Na platéia, escutaram-se ruídos discretos de garrafas e copos, misturados aos sons dos goles etílicos. De verso em verso, uma energia estranha perpassou todo o recinto. No final da performance, ouviu-se o último poema: “que a morte me encontre embriagado, e que não ria ao me ver do outro lado.”



Por que estou dizendo essas coisas, alguém há de perguntar. Estou dizendo essas coisas porque foi assim que tive o primeiro contato com Lau Siqueira. Foi a partir de então que desenvolvemos uma relação muito forte de amizade e principalmente de cumplicidade.



Muitos anos após 1989, novos tempos haveriam de chegar, novos conceitos mudariam o acontecer histórico da cidade. O prefeito Ricardo Coutinho foi feliz na escolha de seu parceiro cultural. Lau Siqueira se inseriu muito bem nesses tempos de magia, tempos de mago, de sabedoria. Eis que o poeta Lau sobe os degraus daquele velho e lindo prédio da Funjope, no Centro Histórico. Lau se acercou de gente como a gente e projetou colocar em prática o que sempre teve em mente: que cultura não é coisa para privilegiados, nem para apadrinhados. Que todo mundo tem direito aos bens culturais. Que cultura é tudo que se realiza, desde o modo de pisar o chão, até a realização de grandes eventos.



A hora de Lau Siqueira era chegada. Significava, por exemplo, que a cultura popular teria sua vez no cenário da cidade. Significava que os meninos do hip hop teriam um espaço no palco da praça e da vida. Significava que as Paixões de Cristo deixariam de ser espetáculos globais e passariam a ser as paixões da gente, paixões de trabalhadores, de lavadeiras, de prostitutas e de freiras. Isso significava, também, que a Banda 5 de Agosto não mais tocaria somente em portas de igrejas ou de palácios para saudar autoridades que chegavam. A banda 5 de Agosto ganharia novos espaços. Hoje, a 5 de Agosto é um show em si mesma.



Ao longo desses novos tempos de magia, presenciei cenas comoventes em alguns recantos da cidade. Vi, por exemplo, na Praça do Coqueiral em Mangabeira, uma banda de rock de periferia subir ao palco do anfiteatro e escutei os jovens componentes da banda a dizer, com as vozes roucas de emoção: “Gente, pela primeira vez estão nos concedendo um espaço para mostrar nosso trabalho, nós que nunca pisamos num palco de verdade, nós que só tínhamos o quintal de nossas casas. Vejam, estamos aqui...”



Outro dia, presenciei um espetáculo de teatro na Praça da Paz, o Anfiteatro Lúcio Lins lotado, e me comovi quando, no final, o diretor se dirigiu à multidão e declarou com a voz entrecortada: “Gente, era meu sonho um dia apresentar um espetáculo para um público e um espaço como este. Estamos profundamente agradecidos a esta gestão cultural que está aí direcionando novos rumos para a cidade.”



Através da Funjope desses novos tempos, tive o prazer de realizar o CD Viva Pedro Santos, depois de esperar durante quase oito anos após o projeto ter sido aprovado pela Comissão Normativa da gestão anterior.



Nesses tempos de Lau Siqueira, vi escritores que nunca tinham publicado uma linha sequer por falta de oportunidade, vi essas pessoas num Agosto das Letras fazerem o lançamento de seus primeiros livros. Eu estava presente ao evento naquela noite, no Centro Cultural São Francisco. Foi grande a emoção dos novos escritores, pessoas até então completamente anônimas.



Meu querido Lau, companheiro de letras e cumplicidades. Quero, neste momento, de dentro do meu coração, agradecer pela sua gestão comprometida com a cidade, com as pessoas de bem. Muito obrigada por ter adotado esta cidade como se fosse uma irmã. Muito obrigada por ter orquestrado esta sinfonia cultural que encheu nosso espaço urbano de sons, cores, letras e imagens ao longo de toda a sua gestão à frente da Funjope. Muito agradecida, Lau. A arte chegou ao lugar onde moro. Hoje meu bairro conhece o melhor do teatro, da música, do cinema, o melhor da literatura. Muitos artistas brotaram dessa energia que perpassou os recantos da cidade, desde a periferia, percorrendo as praias, as praças, os ônibus.



Vivemos tempos de mágicas e de Mago. O show tem que continuar, o espetáculo não pode parar. A cidade quer a continuidade desse espetáculo. Os meninos do hip hop, os artistas das praças, dos anfiteatros, os músicos, os artistas de rua, os palhaços, os escritores novos e veteranos, os meninos das Oficinas de Leitura, as Palavras Plantadas da Bica, as lapinhas e cirandas, as quadrilhas juninas, o carnaval tradição, essa multidão de artistas precisa concluir ou continuar seus trabalhos. A arte e os artistas agradecem a você, Lau Siqueira, pela sua luta contra a mediocridade, sua luta por uma cultura mais autêntica, seu empenho por uma distribuição mais justa dos bens culturais.



Muito obrigada.



* Esta foi a minha fala em sessão especial na Câmara Municipal de João Pessoa, ontem, dia 4 de novembro, por ocasião da entrega do título de Cidadão Pessoense a Laurenci Siqueira - Lau Siqueira. A concessão do título foi propositura do vereador Luciano Cartaxo.







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