RÉQUIEM
Eles sofreram demais. Catapora, bexiga, maus vizinhos e falatórios. Sofreram crises de verminoses, meninos chorando com dor de ouvido. E entoaram a ladainha: “Não é nada, não é nada, um dia seremos ditosos”.
Perderam a casa própria, contrairam doenças malignas. Sofreram epidemias de tédio e dores de parto. Cansaram-se em filas da previdência. “Não é nada, não é nada, um dia seremos ditosos”. Depois de muitos responsórios e tantos padecimentos, assistiram quando os filhos se drogaram e a filha virou puta.
Já velhos e muito doentes, aposentaram-se. Não suportando os espasmos, gemeram os últimos estertores.
Eles sofreram demais. Catapora, bexiga, maus vizinhos e falatórios. Sofreram crises de verminoses, meninos chorando com dor de ouvido. E entoaram a ladainha: “Não é nada, não é nada, um dia seremos ditosos”.
Perderam a casa própria, contrairam doenças malignas. Sofreram epidemias de tédio e dores de parto. Cansaram-se em filas da previdência. “Não é nada, não é nada, um dia seremos ditosos”. Depois de muitos responsórios e tantos padecimentos, assistiram quando os filhos se drogaram e a filha virou puta.
Já velhos e muito doentes, aposentaram-se. Não suportando os espasmos, gemeram os últimos estertores.
Mataram-se sem réquiens e sem ladainhas e reviraram os olhos.
(do meu livro O Beijo de Deus, ed. Manufatura, 2007)
(do meu livro O Beijo de Deus, ed. Manufatura, 2007)

Nome: Dôra Limeira

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