ABENÇOEM O LEITO DA MINHA CAMA.
Hoje é meu aniversário. Eu quero que todos estejam em minha casa. Forrem a mesa de aniversário com aquela toalha branca que desde muito tempo usamos em nossas festas de Natal e Ano Novo. Sim, aquela mesma toalha que me foi dada pelo meu filho. Hoje eu quero uma torta de abacaxi muito enfeitada com calda de caramelo por fora, com recheio de creme de maracujá. Uma travessa de frutas coloridas deve ornamentar a mesa e deve ser servida ao longo da comemoração. Quero a presença das vizinhas nessa festa, elas me têm grande apreço e sempre me foram prestativas em minhas necessidades. Para mim, é importante que meus filhos se acheguem junto à torta no centro da mesa e soprem a vela, com entusiasmo. É uma homenagem que estarão me prestando hoje, que estou completando 67 anos de vida. Estarei feliz se todos os meus familiares e amigos cantarem “Saudemos o grande dia que tu hoje comemoras. Seja a casa onde moras a morada da alegria, o refúgio da ventura. Feliz aniversário”. Quero Adeildo Vieira entoando “Companheiros, cruzem a porta da minha casa. Encham a sala de sorriso e de suor. Abençoem o leito de minha cama. No jardim, podem pisar na grama, sei que não pisam na flor.” Na festa de meu aniversário, eu quero meus sobrinhos tocando violão, cantando as músicas de que gosto. Que Francisco Limeira e Ana Regina cantem “Samba sem bem”, cantem “Talo de capim na minha boca”. Não esqueçam de cantar “Fogão de lenha”, em alto e bom som. São tantas as músicas, que chego a não lembrar de todas. Façam de conta que estou presente, recebendo os cumprimentos, solfejando as canções que sei solfejar, sendo abraçada e abraçando todos. No momento em que meus filhos estiverem achegados junto à torta de abacaxi para o sopro da vela, estarei perdoando a todos os familiares e amigos que, direta ou indiretamente, me ofenderam no decorrer dos tempos. Fiquem certos de que meu perdão será muito maior. Ao mesmo tempo estarei, em espírito, pedindo desculpas aos que magoei em algum momento da vida, atingindo-os com minhas palavras, pensamentos e ações. Agradeço de coração aos que puderem e quiserem atender a meu convite para participar da minha festa. Desejo que, por um fenômeno telepático qualquer, eu possa perceber as coisas que deverão acontecer. Que eu possa escutar as canções, ouvir as mensagens de parabéns, os aplausos. Que eu possa ver os sorrisos estampados nas faces de meus filhos, dos demais familiares e dos amigos. Se assim estou me expressando, é porque não sei o que me acontecerá amanhã. Neste leito de hospital, sem fala, sem mobilidade, com essa respiração artificial, alimentando-me através de sonda, eu não sei de nada. Não sei se vivo, não sei se morro. Não sei se durmo, se acordo. Tudo que eu quero neste momento é um copo de suco de laranja.
(Homenagem a Maria José Limeira que está aniversariando hoje, 30 de agosto)
Dôra Limeira
Hoje é meu aniversário. Eu quero que todos estejam em minha casa. Forrem a mesa de aniversário com aquela toalha branca que desde muito tempo usamos em nossas festas de Natal e Ano Novo. Sim, aquela mesma toalha que me foi dada pelo meu filho. Hoje eu quero uma torta de abacaxi muito enfeitada com calda de caramelo por fora, com recheio de creme de maracujá. Uma travessa de frutas coloridas deve ornamentar a mesa e deve ser servida ao longo da comemoração. Quero a presença das vizinhas nessa festa, elas me têm grande apreço e sempre me foram prestativas em minhas necessidades. Para mim, é importante que meus filhos se acheguem junto à torta no centro da mesa e soprem a vela, com entusiasmo. É uma homenagem que estarão me prestando hoje, que estou completando 67 anos de vida. Estarei feliz se todos os meus familiares e amigos cantarem “Saudemos o grande dia que tu hoje comemoras. Seja a casa onde moras a morada da alegria, o refúgio da ventura. Feliz aniversário”. Quero Adeildo Vieira entoando “Companheiros, cruzem a porta da minha casa. Encham a sala de sorriso e de suor. Abençoem o leito de minha cama. No jardim, podem pisar na grama, sei que não pisam na flor.” Na festa de meu aniversário, eu quero meus sobrinhos tocando violão, cantando as músicas de que gosto. Que Francisco Limeira e Ana Regina cantem “Samba sem bem”, cantem “Talo de capim na minha boca”. Não esqueçam de cantar “Fogão de lenha”, em alto e bom som. São tantas as músicas, que chego a não lembrar de todas. Façam de conta que estou presente, recebendo os cumprimentos, solfejando as canções que sei solfejar, sendo abraçada e abraçando todos. No momento em que meus filhos estiverem achegados junto à torta de abacaxi para o sopro da vela, estarei perdoando a todos os familiares e amigos que, direta ou indiretamente, me ofenderam no decorrer dos tempos. Fiquem certos de que meu perdão será muito maior. Ao mesmo tempo estarei, em espírito, pedindo desculpas aos que magoei em algum momento da vida, atingindo-os com minhas palavras, pensamentos e ações. Agradeço de coração aos que puderem e quiserem atender a meu convite para participar da minha festa. Desejo que, por um fenômeno telepático qualquer, eu possa perceber as coisas que deverão acontecer. Que eu possa escutar as canções, ouvir as mensagens de parabéns, os aplausos. Que eu possa ver os sorrisos estampados nas faces de meus filhos, dos demais familiares e dos amigos. Se assim estou me expressando, é porque não sei o que me acontecerá amanhã. Neste leito de hospital, sem fala, sem mobilidade, com essa respiração artificial, alimentando-me através de sonda, eu não sei de nada. Não sei se vivo, não sei se morro. Não sei se durmo, se acordo. Tudo que eu quero neste momento é um copo de suco de laranja.
(Homenagem a Maria José Limeira que está aniversariando hoje, 30 de agosto)
Dôra Limeira

Nome: Dôra Limeira

2 Comments:
todo dia é todo dia
e a esperança sempre sorri
mesmo se as nuvens
cubram o sol e a lua
temos de viver
lutando
como bravos
esperando o melhor
quando o coração aperta
a gente sorri ou chora
mas nunca desistimos
Que coisa linda, Dôra!
Realmente, é o que Ela esperava. Vontade feita, foi lindo.
E...Se somos bons, amanhã seremos ainda melhores.
Xêros
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